Faltam-me as palavras

Quando olho pela janela e percebo que tudo passou, que posso finalmente respirar, que mesmo que não tenha passado esta tempestade dentro de mim, já me sinto segura.
Está frio mas não um frio insuportável, é só um frio que as pessoas têm dentro de si mesmas e pronto a congelar multidões. Um frio de crueldade e maldade que muitas transportam...
Vejo um nevoeiro quando fecho os olhos, escondo-me nesse nevoeiro para me distanciar do frio daqueles que me querem congelar.
Ponho os fones no volume máximo, tão a corroer-me pela música que me esqueço que me estão a tentar corroer também.
Lembro-me de frases e palavras fortes que me marcaram, "és linda aos meus olhos", magoa levar a sério coisas na nossa idade. Não sabemos o que queremos para além do que pretendemos no momento. Não dói por mal, dói um bom.
Apercebo-me que a distância temporária também dói um bom, "não te vejo há mais de uma semana, tenho saudades tuas". Já vai passar assim que chegares.
Quanto mais me afastam e excluem mais eu me vou embora.
Fazes-me sentir estranhamente bem e feliz, sinto-me à vontade. Vamos fazer omeletes e arroz, um dia destes.
Faltam-me as palavras para descrever tudo em que tenho pensado, tudo o que me tem feito confusão e tudo o que me tem faltado.
Não me falta vontade de gritar e de esbofetear todos os parvalhões e parvalhonas que me estragam dias bons nem vontade de abraçar as boas pessoas, só me faltam as palavras.